Rock in Rio: educação mandou lembrança!

•10/03/2011 • 4 Comentários

Mais um histórico Rock in Rio acaba.

Sem sombra de dúvidas, uma das melhores e mais surpreendentes edições do Festival.

Um festival brasileiro por origem, que já aconteceu em algumas cidades do mundo, tem suas peculiaridades quando ocorre aqui.

E as semelhanças não são mera coincidência.

Pra mim, a maior atração sempre é o público.

Não adiante pirotecnia, nem cantores voando. Não importa os pout-pourri clássicos nem as homenagens emocionantes.

O público sempre é um show a parte. E o principal dele!

O que mais me chamou atenção não foi a presença de milhares de pessoas.

Não foi a presença de fãs enlouquecidos e famílias inteiras da platéia.

O que me deixou boquiaberto foi a ausência de educação e respeito desse mesmo público.

Características marcantes que só acontecem no Brasil.

Vaias e insultos aos cantores.

Ora, a programação do Festival foi divulgada há meses e quando não se gosta de uma atração, suponha-se que se saia da platéia ou procure espaço alternativo.

Mas não! O Rock in Rio no Brasil, pra mostrar que ainda é tupiniquim, necessita vaiar as atrações. Assim como aquele na década de 80…

Espero que em 2013, na próxima edição do Festival no Brasil, as pessoas estarão vivendo um novo patamar e procurem saber, com antecedência, quem estará no palco. E demonstrem, no mínimo, algum traço de educação e civilidade. Aplaudindo os que gostam ou se retirando dos que não lhes agradam. Mas antes de qualquer coisa, respeitando os que, de alguma forma, receberam o prestígio de serem convidados para subir no palco.

Um Conto Sertanejo de Fadas

•09/23/2011 • 4 Comentários

Cordel Encantado não era apenas uma novela.

Aos que tiveram o prazer e a honra de assistir essa obra de arte na TV durante tantos meses, devem estar compartilhando a mesma sensação.

Para um defensor da cultura nordestina como eu, acompanhar uma produção realizada com técnica de primeira, que carregou músicos como Luiz Gonzaga, Alceu Valença, Otto, Chico Science, Silvério Pessoa, Karina Buuh, Djavan, atores nordestinos consagrados e outros nomes que trazem nosso sangue, foi estar em êxtase a cada capítulo.

Cordel Encantado teve marcação teatral e tecnologia de cinema. Duas artes fundidas com a literatura nordestina que encheu os olhos dos críticos e telespectadores, amantes desta terra.

Novela bem escrita não precisa prolongar por meia hora ou quarenta minutos seu último capítulo para justificar suas tramas. Novela boa consegue segurar até o último capítulo o objetivo principal que movia seus protagonistas. E a referência ao casamento de Açucena e Jesuíno, como no primeiro capítulo, foi digna de aplausos para as autoras Duca Rachide e Thelma Guedes.

Essas duas que, majestosamente, conseguiram contar uma história envolvendo mundos totalmente diferentes. Conseguiram unir João Cabral de Melo Neto e Ariano Suassuna à lenda do Homem da Máscara de Ferro, por exemplo.

Novela bem escrita não tem um elenco perdido e entupido de gente, se perdendo de suas story line. Novela como Cordel Encantado, possuiu uma quantidade reduzida de personagens, mas todos bem elaborados, ricos em suas personalidades, o que possibilitou o desenvolver de uma estória com surpresas, graças e revelações a cada dia.

Um divisor de águas na história da teledramaturgia brasileira.

Sem exageros nem sombra de dúvidas. Tal qual foi Irmãos Coragem há algum tempo.

Todo mundo viu, comentou. Homens, mulheres, crianças e carcarás.

Até mesmo os que torceram o nariz. Assistiram para falar mal. Mas assistiram.

A sensação que fica é a de melancolia, porque não se sabe quando a televisão produzirá novamente algo de tamanho rebuscamento e qualidade, mesmo que para contar uma saga tão simples e bonita que a gente costuma encontrar sempre, pendurada nos varais de cordéis xilogravados e não dar muita atenção.

Para quem ainda fez meia boca, a novela se encerra com mais de 30 pontos no IBOPE, deixando uma mensagem de cunho responsável a cerca da administração pública e das políticas sociais e homenageando os grandes inspiradores e poetas cordelistas do nosso Brasil.

A Origem, Planeta dos Macacos.

•09/14/2011 • 4 Comentários

 

O ruim de ver filme dublado pela Alamo, é que eu sempre tenho a impressão de estar vendo Seiya e Shiryu diante de meus olhos, seja qual filme estiver assistindo. Mas quanto se é refém do tempo e obrigado a aceitar as condições possíveis no momento, não se pode reclamar muito.

Dublagem à parte, no último sábado consegui, finalmente, ver O Planeta dos Macacos, A Origem. E já começo dizendo que os fãs da franquia só têm o que comemorar.

Foi tudo bem roteirizado. Nada está solto…

Quem acompanha desde o primeiro longa-metragem da década de 70 e já vibrava com a temática apocalíptica que usava no máximo o Chroma Keys e máscaras de carnaval como efeito, e já ficou maravilhado na versão de Tim Burton, vai se realizar vendo essa versão que deixa um gosto de querer mais. Muito mais!

O supra-sumo dos efeitos de computação gráfica já era de se esperar. Atores interagindo virtualmente, macacos criados em computador com naipes de atuação de uma Fernanda Montenegro e Bruce Willis.

Ao ver o trailer, eu pensei que seria mais um show de efeitos hollywoodianos, do que um filme que valesse a pena recontar a saga da dominação do mundo pelos símios, confesso.

Mas não foi bem assim.

O show de efeitos especiais não ofuscou o brilhante roteiro do filme. Em quantas produções já não vimos isto? O show pirotécnico chega a ser ridículo no exagero que tentam suprir os defeitos do roteiro.

Eu pensei que seria assim com Planeta dos Macacos, A Origem. E por mais que ainda houvesse dúvidas sobre alguns pontos pra mim, que assisti a todos os anteriores, era difícil imaginar como seria contada novamente essa estória, sem ficar piegas.

Ao assistir Planeta dos Macacos, A Origem, dá pra entender e solucionar algumas questões que permaneceram em lacuna vazia durante tanto tempo. Dá pra começar a enxergar o elo que faltava nessa trama, já que parece mais um círculo do que algo com começo, meio e fim.

Eu não vou contar o final do filme.

Até mesmo por que creio que ele não se encerrar. Os filmes são, como eu disse, um circulo de narrativa, onde é preciso assistir os outros para localizar o espaço de cada um.

Onde você estava dez anos atrás?

•09/11/2011 • 7 Comentários

É incrível como todo mundo, ou quase, lembra onde estava no dia 11 de setembro de 2001. Eu começo esses meus pensamentos usando essa frase postada no Twitter na última semana, pelo jornalista pernambucano Fernando Rêgo Barros.

Quando vi tal frase, eu parei de frente do computador, não digitei mais nada e tentei me lembrar aquele momento. Na verdade eu nunca esqueci e até já o citei em outra postagem. Mas especificamente hoje, quando se comemora os 10 anos dos atentados terroristas aos Estados Unidos, resolvi detalhar como aquelas notícias me chegaram.

Era uma manhã de terça-feira e eu não tinha ido ao colégio. Minha modesta rotina acabava de ser mudada pelo fato de eu não ter feito o mesmo caminho naquele dia. Fui a um consultório médico. Andava com a cabeça um pouco confusa, aspirações pessoais e profissionais se conturbando dentro de uma mente adolescente que era a minha na época.

Decidi ir a um psicólogo. E fui.

Na sala de espera, me acomodei em uma poltrona e diante de mim estava uma TV ligada.

Eu olhava a televisão, mas não prestava atenção. A minha preocupação estava toda no que aconteceria a mim depois que entrasse no consultório. O que eu vou dizer? Será que ela vai me achar louco? O que é que eu to fazendo aqui?

A imaginação fugia do meu controle e eu só ouvia o burburinho do desenho animado. Eis que de repente, algo me trouxe pra frente da TV novamente. Era a musiquinha emblemática do plantão.

E ali, depois de ter voltado a mim, vi ao vivo, a notícia e as imagens da tragédia que ocorria.

No começo eu não associava. Achava que minha cabeça estava mais confusa e dilacerada do que aquele povo todo pedindo socorro, se queimando.

Eu não lembro o que conversei com a psicóloga. Também não voltei mais lá.

Eu precisava me entender sozinho, sei lá. Adiei meus pensamentos pra depois, quando entendi que diante dos meus olhos e dos olhos do mundo inteiro, um novo capítulo da história, não só americana, mas mundial se escrevia ali.

O que ocorreu depois todo mundo sabe, e eu creio que ninguém cansa de ver, de saber algo novo em relação aos atentados ao Word Trade Center e ao Pentágono.

As imagens do 11 de setembro são muito mais do que fatos e notícias. Elas vão ficar pra sempre no imaginário de todos que as viram, seja ao vivo pela TV, seja nos livros de história, seja anos e anos depois.

Insosso Coração

•08/20/2011 • 4 Comentários

Eu senti falta daquele suspense. Daquela hora em que, mesmo sem você acompanhar a trama inteira, você pára pra ver o final.

Dessa vez não teve frio na barriga, emoção e ápice nas revelações! Foi trivial…

E daí eu me lembrei das outras novelas de Gilberto Braga que, mesmo quando o assassino era o mais óbvio, o suspense era tão bem explorado que a gente acabava se emocionando.

Mas hoje isso não aconteceu. Sinceramente, não sei o quê era aproveitável nessa novela!

Talvez eu pense assim por que eu não acompanhava, talvez seja por que já acompanhei demais.

Final de novela é final de novela. Mesmo pra quem não gosta. É final.

Todo mundo pára pra ver.

Tenho uma recordação de A Próxima Vítima, de Silvio de Abreu, que era uma novela de serial killer, e a trama estava toda envolta da descoberta do criminoso. Recordo-me que a mobilização no Brasil foi tão intensa que, em todo lugar, as pessoas estavam fazendo bolão para adivinhar.

Aqui em casa, por exemplo, meu irmão, que era uma criança na época, passou uns três dias contando o final da novela. Dizendo, repetindo que “Adalberto era o assassino! Adalberto era o assassino!”

As últimas novelas de Braga e Linhares, se não me engano, foram Celebridade e Paraíso Tropical. Tinham a célebre cena e o famoso questionamento “quem matou?”. Não sei se erraram por não repetir a receita de sucesso ou se repetissem as pessoas enjoariam do mesmo tempero.

Mas a impressão que tenho é que o conjunto da obra não foi muito feliz.

Há um ditado nesse meio que diz que se a novela é boa, seu final não presta. Quando a novela presta, seu final é um fiasco.

No caso de Insensato Coração não sei qual das partes da teoria se aplica.

A morte da personagem na mesma semana do seu final não deu tempo que causar frisson na audiência nem preparar a atmosfera de discussões características de finais de folhetim.

Essa receita não foi bem temperada…

Pra não arriscar, opta-se sempre pelo feijão com arroz. É bem melhor.

Não há como errar!

ETs de Cara Nova!

•07/20/2011 • 5 Comentários

Não é de hoje que eu tenho um verdadeiro fascínio por temáticas apocalípticas e de invasão da Terra. Delicio-me vendo aqueles filmes de catástrofes, monumentos históricos sendo destruídos e tudo mais…

Há algum tempo que venho me viciando em dois seriados americanos – e olhe que de produção hollywoodiana-comercial eu tô correndo.

Mas esses despertaram o meu interesse por misturar alguns desses temas macabros que eu gosto com o cotidiano mais próximo do real.

Estou falando de Visitours e The Event. Seriados de invasão de ETs ao nosso planeta que mostram nossos supostos vizinhos planetários de uma forma meio diferente do que estamos acostumados a ver.

Já se foi o tempo em que o inimigo era feio, assustador e tenebroso.

Visitours é um remake de um seriado homônimo dos anos 80, do qual eu ouvia falar, mas por questões óbvias e naturais, eu não tive a oportunidade de assistir. Outro motivo de acompanhá-lo é o fato de ter uma brasileira à frente do elenco. Morena Bacari é Anna, a líder dos alienígenas.

Já The Event veio a substituir a lacuna vazia deixada pelos V’s no meu momento de entretenimento fúnebre. Visto que a terceira temporada ainda está sob muita especulação.

Em The Event, os extraterrestres também possuem a forma humana, sob as ordens de Sophia, mas não vivem ostentando seus poderes o tempo inteiro como no outro. Isso é o que tem mais me fascinado. O roteiro é bem mais rocambolesco…

Enquanto o ET de Varginha não volta à tona em alguma produção tipo Mazaropi e o ET de Spielberg já não é o mesmo, vou continuando com a beleza e artimanha de Sophia e Anna, esperando ansiosamente as próximas temporadas .

Chaves empoeirado sai de dentro do baú!

•07/11/2011 • 8 Comentários

Eu não acredito que essas fitas estavam perdidas esses anos todos e agora, de repente, apareceram do nada.

Todo mundo sabe, há várias gerações, que o humorístico Chaves sempre foi a menina dos olhos de Sílvio Santos e um dos maiores campeão de audiência do SBT.

Todo mundo sabe mesmo. Principalmente o dono da emissora.

Houve um tempo em que eu ficava irado, indignado com as mudanças bruscas e inesperadas que Silvio Santos promovia a seu bel prazer, na grade de programação de seu canal.

Alguém já tentou acompanhar alguma série, por exemplo?

É assistir um episódio hoje, ao meio dia e ter que ficar acordado até a madrugada para ver a continuação, porque, simplesmente, o dono acordou de mau humor e querendo que você perdesse o seu humor também, mudou a atração de horário.

Ah, e sem lhe comunicar!

Pois é. Eu saraivava Silvio por isso. Achava uma falta de respeito e um absurdo. O que não deixa de ser, né? Mas depois que passei a entender a dinâmica televisiva, ainda no começo da primeira graduação, vi que, se tratando da emissora onde ele é o único mandachuva e o único objetivo é a audiência, esse quebra-cabeça que se tornou a grade programação era fichinha e um trunfo que sabia como usar.

Recordo-me quando Chaves era transmitido pela manhã, roubando a audiência de Ana Maria Braga. Às 17h, quando desviava a atenção dos que acompanhavam o Brasil Urgente de Datena, ainda na Band. Essas são as que consigo lembrar agora…

Mas sempre foi assim.

Sabendo que o seriado mexicano, há décadas no ar aqui no Brasil, a cada geração tem seus seguidores renovados e fiéis, o sábio do SBT desfila com ele por qualquer horário que seja.

Recentemente Chiquinha, Kiko, Seu Barriga, Madruga e os mais podem ser vistos no mesmo horário em que muita gente tá acompanhando Açucena, os cangaceiros e a corte de Seráfia. Por que será?

O fato é que o Sistema Brasileiro de Televisão está completando 30 de transmissão e como parte da festa serão exibidos alguns episódios inéditos – no Brasil – de Chaves. Ninguém dúvida que milhares de fãs ansiosos estão aguardando esse momento. Mas eu duvido muito que essas fitas apareceram assim, no porão ou no sótão da casa dos Abravanel.

Só existe uma coisa nesse meio todo que eu não duvido: é da inteligência do Homem do Baú.