Um Conto Sertanejo de Fadas

Cordel Encantado não era apenas uma novela.

Aos que tiveram o prazer e a honra de assistir essa obra de arte na TV durante tantos meses, devem estar compartilhando a mesma sensação.

Para um defensor da cultura nordestina como eu, acompanhar uma produção realizada com técnica de primeira, que carregou músicos como Luiz Gonzaga, Alceu Valença, Otto, Chico Science, Silvério Pessoa, Karina Buuh, Djavan, atores nordestinos consagrados e outros nomes que trazem nosso sangue, foi estar em êxtase a cada capítulo.

Cordel Encantado teve marcação teatral e tecnologia de cinema. Duas artes fundidas com a literatura nordestina que encheu os olhos dos críticos e telespectadores, amantes desta terra.

Novela bem escrita não precisa prolongar por meia hora ou quarenta minutos seu último capítulo para justificar suas tramas. Novela boa consegue segurar até o último capítulo o objetivo principal que movia seus protagonistas. E a referência ao casamento de Açucena e Jesuíno, como no primeiro capítulo, foi digna de aplausos para as autoras Duca Rachide e Thelma Guedes.

Essas duas que, majestosamente, conseguiram contar uma história envolvendo mundos totalmente diferentes. Conseguiram unir João Cabral de Melo Neto e Ariano Suassuna à lenda do Homem da Máscara de Ferro, por exemplo.

Novela bem escrita não tem um elenco perdido e entupido de gente, se perdendo de suas story line. Novela como Cordel Encantado, possuiu uma quantidade reduzida de personagens, mas todos bem elaborados, ricos em suas personalidades, o que possibilitou o desenvolver de uma estória com surpresas, graças e revelações a cada dia.

Um divisor de águas na história da teledramaturgia brasileira.

Sem exageros nem sombra de dúvidas. Tal qual foi Irmãos Coragem há algum tempo.

Todo mundo viu, comentou. Homens, mulheres, crianças e carcarás.

Até mesmo os que torceram o nariz. Assistiram para falar mal. Mas assistiram.

A sensação que fica é a de melancolia, porque não se sabe quando a televisão produzirá novamente algo de tamanho rebuscamento e qualidade, mesmo que para contar uma saga tão simples e bonita que a gente costuma encontrar sempre, pendurada nos varais de cordéis xilogravados e não dar muita atenção.

Para quem ainda fez meia boca, a novela se encerra com mais de 30 pontos no IBOPE, deixando uma mensagem de cunho responsável a cerca da administração pública e das políticas sociais e homenageando os grandes inspiradores e poetas cordelistas do nosso Brasil.

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~ por automidia em 09/23/2011.

4 Respostas to “Um Conto Sertanejo de Fadas”

  1. Um divisor de águas na teledramaturgia mundial, eu só tenho um pouco de pena da próxima “A Vida da Gente” que sofrerá se não manter os índices de audiência que Cordel Encantado alcançou durante o tempo que ficou no ar!!!

  2. Não ví Cordel e me arrependo pois com certeza era uma novela visivelmente bem realizada .

  3. Eu infelizmente perdi o final dessa novela que foi muito bonita, muito mesmo. Vi só algumas partes, depois vejo no youtube :DDD

  4. Nossa, Cordel Encantado foi realmente muito boa.. Linda, encantadora e romântica. Mas acho que A Vida da Gente será muito boa. Vai aparecer cenários incríveis e tratar de um assunto que é muito comum na atualidade, gravidez na adolescência. Quer mais razões?
    http://lollyoliver.wordpress.com/

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