É apenas uma carona. Digamos assim!

Para ilustrar esse texto, não me veio situação melhor. E antes que muita gente discorde ou me tire pra Cristo, aviso que é uma opinião pessoal, talhada no feedback das coisas que recebo em meu dia-a-dia. Não julgando talentos nem qualidades de ninguém. Afinal, quem sou eu pra fazer isso…

A carona que eu falo é apenas uma sutil metáfora que encontrei para expressar meu descontentamento com certos acontecimentos no cenário musical.

Não que ele precise, mas o primeiro que incluo nessa comitiva é o Caetano Veloso, por esse show com Maria Gadú que virou CD, DVD e tudo mais. Ninguém sabe o que vai ser dela daqui a alguns anos, se estará consagrada como Caetano, mas que eu sinto que ele tá aproveitando pra dar uma alavancada, fazer uma exposiçãozinha de si mesmo, aah está sim.

Outro episodio que achei lamentável – não pela parceria, que é até exótica e interessante: Ivete Sangalo com Aviões do Forró. Gosto muito de ver ritmos misturados, arranjos se entrelaçando, mas a música que a banda cearense fez de pura bajulação para com a cantora, paciência. Até parecia um hino oficial ou um mantra de dedicação a ela. Uma auto-estima baixíssima do Avião…

O caso que levou a escrever esse texto é algo iniciado por aqui. Sou devoto de um cantor e compositor pernambucano chamado Lula Queiroga. Sua obra, que vai além das músicas e cinema, é de uma grandeza e originalidade de encher qualquer um de orgulho. Há algum tempo a cantora Roberta Sá caiu nas graças do povo, interpretando clássicos de alguns compositores da nova geração brasileira e principalmente de Lula.

A cantora Maria Rita, que dispensa comentários e apresentação, mesmo passeando por composições também da nova geração, anda por aí cantando umas das músicas mais expressivas de Queiroga, em minha opinião.

Vi alguns vídeos e até fiz o download de Maria Rita cantando Conceição dos Coqueiros – falo de uma impressão totalmente particular, minha – e parecia soar de forma forçada, artificial. E olhe que não foi devido à qualidade do vídeo.

Admiro muito o trabalho dela, mas creio que dessa vez ela foi infeliz na escolha. Pelo que acompanho de Maria Rita, já vi muito making off de seus trabalhos e pelo que observo, as músicas que ela escolhe cantar são as que representam, que tocam seu íntimo de alguma forma.

Eu posso estar equivocado ou sendo egoísta mesmo, mas é muito difícil imaginar Maria Rita, dia 8 de dezembro, subindo as escadarias do morro da conceição, na zona Norte do Recife, em meio há milhares e milhares de pessoas, sob o sol quente de Pernambuco.

Pois é justamente sobre isso que a música fala. Da devoção do povo católico por Nossa Senhora da Conceição, aquela que está lá em Casa Amarela, no alto de um dos morros mais altos do Recife, que recebe a visita de pessoas que sobem de joelhos, com tijolos na cabeça, descalços…

Quando se escuta na voz de Lula, é de se arrepiar de uma forma impactante. Ao ouvir, você é levado a uma viagem plástica e visual que é se como você estivesse lá. No morro. Olhando para aquelas pessoas e suas lágrimas, sentindo o cheiro da vela queimar na parafina.

Esperava que Maria Rita agendasse uma visita ao Morro da Conceição para saber o que ele representa não só religiosamente, mas culturalmente para esse povo.

Do mesmo jeito que Roberta Sá conheceu a Ciranda de Lia, em Itamaracá.

Talvez Maria Rita tenha feito essa mesma viagem ao escutar a música na voz de Lula Queiroga.

E se ela compartilhou dessas mesmas sensações, digamos que, ela está perdoada.

Anúncios

~ por automidia em 06/16/2011.

5 Respostas to “É apenas uma carona. Digamos assim!”

  1. Nossa! Acho que vou ouvir um poruco das músicas de Lula Queiroga. Afinal, sou apaixonad o pela imaginação a partir das músicas totalmente expressada.

  2. Muito bom o texto, Lula Queiroga manda muito bem, hehe Ivete + Avioes do forro é igual a (censurado). Abraçosss

  3. Maria Gadu é horrível, não sei o que o público vê nessa menina. Letras MUITO fracas, voz estranha…

    Essa nova geração de cantores da mpb vem sendo constantemente glorificada por todos, até numa busca por um novo ídolo pra substituir os bons antigos, mas o público tem q analisar bem a música pra tomar depois a opinião, e não só por ser mpb já estar na lista top.

    Exemplos são Roberta sá e Maria Gadu.
    Uma cantora maravilhosa, com letras tranquilas, muito mais interprete de músicas e sambas, incluindo ritmos regionais, do que propriamente uma revolucionaria.

    A outra, veio de um sucesso “Ne me quitte pas”, interpretado para uma série da globo. Usando o acústico como arma, e a calmaria pra sempre alavancar em temas de novelas, com letras geralmente muito fracas.

  4. Suas impressões foram muito bem descritas.A música brasileira faz misturas bem surreias às vezes.E há duplas que realmente chaman a atenção.E soa mesmo como oportunismo!Mas, até quando?Eu acredito, sinceramente, que o talento real se sobressai sempre.Seja aqui no Brasil, ou fora dele.

  5. É priminho, tenho que concordar com vc. Gosto da interpretação dela tenho assistido seus Makig off, e como vc relata ela só canta o que lhe toca. Mas fica difícil acreditar na sua digamos, “adoração ao morro”.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

 
%d blogueiros gostam disto: