Ai que Vida! Ai que Filme!

É comum ouvir alguém dizer que no Brasil há mais de 190 milhões de técnicos de futebol, principalmente nas vésperas de uma Copa do Mundo.

Agora eu vou mais além.

Diria que no Brasil há 180 milhões de técnicos e cineastas.

Isso mesmo. Cineastas.

De onde tiro essa conclusão? Pois bem, deixe-me explicar.

Tenho o costume de toda segunda-feira assistir às produções nacionais em vídeo. Ontem, chegou às minhas mãos um filme cujo já tinha ouvido falar.

Tratava-se do Ai Que Vida!, filme do maranhense  Cícero Filho, cujo já comentaram positiva e negativamente.

À principio e sem muitas informações da origem do vídeo (não falo dos créditos, esses me pareceram impecáveis), senti a necessidade de conhecer a produtora melhor, conhecer o estilo do roteirista antes de ver o filme.

Mesmo sem essas informações de pre-view, dei o play.

O longa-metragem trata do cotidiano de uma cidadezinha do interior do Piauí. Disputas políticas, traições a casos amorosos fazem parte do roteiro, tudo com muito bom humor.

Os estereótipos inerentes aos filmes que tratam do Nordeste aparecem lá. Político, dançarina, gay, bêbado e outros mais. O que diferencia dessa vez, e isso pra mim é louvável, é que é possível ver os tipos nordestinos pela ótica dos próprios nordestinos.

Não temos nenhuma Suzana Viera no topo de sua artificialidade imitando sotaque caricato. Temos o linguajar diário, com o arrastado do interior dos estados. Um cinema popular.

Pelos posicionamentos das câmeras, ângulos e produção, percebe-se que, apesar do pouco recurso, a criatividade e o know-how dos profissionais de audiovisual se sobressaem.

Quando falo que todo brasileiro pode ser um cineasta é justamente por essa identificação. Ao assistir, mesmo sendo a primeira vez, eu conseguia prever alguns takes e até diálogos. Juro.

Isso significa que eu mesmo poderia ter feito um longa parecido, ou até aquele próprio, devido à intimidade que temos com aquela temática.

E o porquê de outros também não o fazer?

Posteriormente busquei maiores detalhes na internet sobre a produção e fiquei ainda mais encantado. Não é difícil perceber que alguns dos atores não tinham formação para atuar. E aí entra o talento do diretor e do produtor de elenco, que mesmo não despertando o talento nato do povo, o que seria impossível, conseguiu arrancar o melhor da disciplina e concentração deles.

É muito bom ver que nos lugares distantes de onde se mais produz no país, é possível criar suas produções, resgatando e valorizando sua identidade e de seu povo.

De uma vez por toda, a ilusão de que só existe cinema no eixo Rio-São Paulo já era. Eu conhecia a produção baiana e a do meu estado, óbvio. Agora chega pra somar ao time o cinema do Meio-Norte do Brasil.

Vamos que vamos!

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~ por automidia em 05/11/2010.

5 Respostas to “Ai que Vida! Ai que Filme!”

  1. vixe
    diferentes
    vamos ver

  2. Adoro assistir esse tipo de filme…é engraçado se vê na telona(Porque é essa a impressão que tenho quando assisto essas produções…quando essas são boas,claro)Bacana ter novos filmes surgindo,mostrando a cultura e costumes de sua região!Tô até pensando em pegar minha máquina digital e dá uma de produtor!

  3. Tenho que assumir eu assito filme brasileiro uma vez por decada AAUahauaU + esse ai que vida me chamo atençao vo procurar assitir o/

  4. Quanto mais diversificado o cinema e o mundo, melhor!!

  5. Adorei o texto. Grato meus colegas! É sempre bom ver que meu filme AI QUE VIDA, mesmo feito em meio a tantas dificuldades, esteja agradando a galera do meu amado BRASIL. A mensagem foi transmitida pelo visto. Valeu!!!!!!!!!!

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