Do asfalto à ladeira: é Carnaval por aqui!

Só mesmo um acontecimento como o carnaval para despertar o olhar clínico em relação ao que pretendo relatar agora.

Que Pernambuco é a terra do frevo, disso ninguém duvida mais. É fato.

Se já é assim para os não-pernambucanos, imagina para nós que nascemos ouvindo essas músicas e desde os primeiros passos quando crianças arriscamos dançar, nem que seja ao menos a tesoura?

Também é certo que não só porque respiramos frevo, maracatu, caboclinho, afoxé o ano inteiro, que todos os pernambucanos morram de paixão por esses ritmos.

Duvido que todo baiano goste de axé e seja do candomblé, e todo carioca goste de batucada de samba.

Por aqui não é diferente. Eu particularmente não faço parte desse time que prefira ritmos tipo exportação. O frevo está no meu sangue e a cada soada de corneta, me arrepio da cabeça aos pés.

Mas há quem viva nessa terra e não goste. Se sinta um forasteiro.

O que acontece de curioso, a meu ver, neste carnaval, é um fenômeno que    aos poucos eu observo.

Antes, quem ouvia e/ou dançava frevo, maracatu e outros ritmos de nossa cultura popular eram os marginalizados, a classe pobre de população.

Apesar de essas manifestações, até hoje na sua maioria são produzidas por moradores das periferias, os integrantes das agremiações começam a se mesclarem.

Quando esses fermentadores culturais passaram a se aceitar e a se conscientizar do seu verdadeiro valor e lugar de suma importância em nosso ciclo social, as coisas passaram a serem vistas com outros olhos.

Com o passar dos tempos, a cultura popular passou a ser chique. Nas escolas de frevo e de percussão, aparecem cada vez mais pessoas que, a priori, não saiam de suas casas durante o período carnavalesco.

Em meio às câmeras de TV e uma dúzia de emissoras espelhadas por tudo o que ladeira, é corriqueiro ver os integrantes das classes A e B tocando alfaias do lado do favelado.

Pode ser que esse momento de integração seja passageiro como a moda. Mas sinceramente, eu espero que não.

Talvez o riquinho da zona sul que decidiu descer do condomínio de luxo para tocar e desfilar no chão junto com os populares comece a perceber que nessa celebração ninguém é diferente. Estão todos reunidos em um só bloco, um só coro e batida. Pouco importa se mora em Boa Viagem ou na Favela do Rato, se vem da Zona da Mata ou do Sertão mais longínquo.

O que importa, pelo menos nesse momento, é que somos todos pernambucanos.

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~ por automidia em 02/18/2010.

7 Respostas to “Do asfalto à ladeira: é Carnaval por aqui!”

  1. Muito bom o blog.

  2. Parabens pelo blog…Layout legal..

  3. legal o post ;D

  4. Sinceramente, não curto carnaval….

  5. Parabéns pelo blog! Se der, passa no meu e vê o que acha (é sobre Informática).

  6. sempre entro pra ver as novidads do teu blog maneiro!!!
    parabens manu!!!

  7. Pois eh todos curtem o carnaval, cada um a sua maneira mais curte!

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