Tugundungundacundun

Acabo de fazer uma viagem aos meus doze anos de idade. As poucas lágrimas que caíram de meus olhos quando estava de frente pra TV a pouco, se assemelham às mesmas lágrimas derramadas certa noite quando cheguei em casa mais tarde, na adolescência.

Quando vi a chamada do programa Por Toda Minha Vida, hoje na Globo, que apresentaria a história de Claudinho, desmarquei alguns compromissos pra acompanhar. Poderia ver mais tarde, na internet ou gravado, mas sei que a emoção não seria a mesma. Absolutamente.

Passei o dia inteiro me fazendo um desafio: lembrar a causa da morte de Claudinho.

Não consegui. Relutei em perguntar a minha mãe ou a meu irmão, que assim como eu, era fã. Também não pesquisei na web. Queria lembrar sozinho do que tinha acontecido. Francamente eu não consegui. Dúvidas entre doença, acidente, enfarto, eu não sabia mesmo.

Só refresquei a memória assistindo ao documentário exibido essa noite. Que, diga-se de passagem, muito bem dirigido por Ricardo Waddington.

As únicas memórias guardadas da dupla eram a fase de alegria e as letras das músicas.

Sinceramente, observando a infância pobre da dupla, a luta travada pra conseguir fazer música, que teria tudo pra ser de má qualidade, e não era, só me causa revolta quando vejo funkeiros mais instruídos gravando cada absurdo pornográfico e ortográfico também.

Eu já suspeitava e hoje confirmei ao ver na televisão. Havia palavras que eu cantava quando criança que não entendia, jamais imaginaria o significado. Buchecha usava o dicionário pra tirar suas dúvidas. O vocabulário usado nas composições beirava a norma mais culta do português. Só pra exemplificar:

“Ninguém diz que já gozei bons momentos de glória e a minha história é traição cultual.”

“Se o destino adjudicar, nosso amor poderá ser capaz.”

“É cabível deixar que a dor, ensina nos atos o tempo de paz… …me liguei que você é o meu próprio ser, lenitivo, o meu cantar.”

Só algumas que cito agora.

Palavras que parecem à primeira vista não rimar com o batidão. Definitivamente, não fazem parte do repertório de crianças, nem de muitos adultos, mas que com boa intenção e qualidade se transformam e transforma o próprio funk.

Não concordo que favela seja sinônimo de baixaria. Claudinho e Buchecha provaram que a há qualidade musical no funk, do mesmo jeito que há mau gosto na MPB, por exemplo.

Eu gostava muito da dupla, que até servia de inspiração pra mim e meu primo quando imitávamos e chegamos a gravar K7s.

Ainda hoje ouço. Vez por outra, limpando os troços no quarto, me deparo com os vários álbuns da dupla que tenho aqui em casa. Exceto o primeiro disco, cujo chorei ao me desfazer dele.

Certa ocasião, como castigo por ter passado mais tempo na rua do que o combinado em casa, deparei-me com o CD em mil pedaços em cima de minha cama quando cheguei.

Anos mais tarde seria o coração de muitos fãs se partiriam também.

O CD, tempo depois, minha mãe me deu outro. O bom é que hoje bastam alguns cliques pra ter todas as músicas no computador. E se por acaso, eu aprontar alguma e ela resolver dar cabo de minhas músicas, basta eu fazer o download novamente.

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~ por automidia em 11/27/2009.

5 Respostas to “Tugundungundacundun”

  1. Esse sentimento pós-programa deixou todos nós um pouco nostálgicos. Lembro muito bem que eu tinha o CD cuja música mais famosa era aquela: ‘Quero te encontrar, quero te amar. Você pra mim é tudo. Minha terra, meu céu, meu mar.’. Querendo ou não, essa dupla fez parte da minha vida. E estão eternizados nos vídeos, nas músicas e na nossa memória. Parabéns, Rede Globo e parabéns ao Blog.

  2. Chorei muito ao relembrar da dupla Claudinho e Buchecha.
    Elers não fizeram esses funks que só tem palavrão.
    Acho que quem pode seguir o mesmo caminho da dupla é o MC Leozinho.

    • Foi uma matéria fantástica, acho que todos que viram se emocionaram. Claudinho e Buchecha fizeram parte da minha infância, pena que não tem pessoas iguais a eles hoje em dia, o verdadeiro Funk acabou.
      Parabéns pelo Blog. ABraço

  3. O que mais me impressionou sempre foram as letras, saber q o buchecha usava o dicionário direto, as musicas, as dancinhas era tão legal!

    se duvidar hj os funkeiros nem sabem como se usa um dicionário!

  4. acho justo fazer um filme sobre a historia deles.
    mesmo depois da carreira que eles tiveram a humildade e a simplicidade rolava no coração deles …
    não é igual a esses funkeiros de hoje em dia que fazem sucesso e não estão nem ai pra você…
    a som livre deveria fazer uma coletanea com todos as melhores musicas da carreira deles e um dvd com os clip’s, pros fãns assim como eu guardar como uma recordação.

    eternamente.
    sinceramente ” por toda minha vida ” superou qualquer espectativa… ontem foi o melhor sem dúviidas não teve igual !

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