Cupom de dar dor na vista!

O que a ociosidade leva uma pessoa a fazer é incrível.

Quando chegava em casa, depois da escola, passava a tarde na casa da minha vizinha da frente. Mais necessariamente na calçada da casa dela. Assuntos tinham aos milhares, mesmo estando com ela a manhã inteira no colégio, por sermos da mesma sala.estou falando de 97 ou 98, não recordo bem o ano.

Certa vez, bem em frente de minha casa instalou-se a sede de um bloco. Não era fevereiro, era junho. Os idealizadores planejavam criar a cultura do carnaval fora de época por aqui.

As tardes passaram a ser menos monótonas na rua, visto que a movimentação de pessoas aumentou, escutávamos música vinda de lá todo tempo e fizemos amizades.

Essas amizades solidificaram-se ao ponto que eu e minha amiga passamos a tomar conta do recinto.

Pra ser sincero, as vendas dos abadás não estavam de vento em poupa. As pessoas não queriam trocar a tradição junina, que em nossa terra é crucial, para pular micareta.

Pois bem, usando de táticas de marketing os diretores resolveram criar uma promoção. Quem respondesse o nome da banda a qual puxaria o bloco, ganharia um abadá. Pra isso bastava depositar na urna um pedaço de papel.

Toda novidade atrai um pouco de atenção e expectativa. Mesmo sendo apaixonado por São João, eu estava decidido a pular o carnaval naquele mês. O danado era convencer meu pai a comprar o passaporte.

Eu sabia que ele não compraria. Mas eu ainda tinha uma esperança: o sorteio.

Partindo do pressuposto de que eu nunca ganhei sorteio, rifa, bingo, loto, nada, em tempo algum na minha vida, as chances que eu teria de levar o prêmio eram zero.

Mesmo assim não me dei por satisfeito, nem quis engolir essa tradição da falta de sorte goela abaixo.

As tardes deixaram de ser desocupadas. Depois de guardar o material da escola, eu atravessava a rua e sentado no birô, passava horas e horas cortando papel, escrevendo a resposta e depositando tudo na urna. Sem qualquer exagero e sem que ninguém soubesse, eu picotei um caderno inteiro.

O plano não foi perfeito. Os donos não tinham certeza, mas desconfiaram. Decidiram então, que o sorteio seria diferente, que ao abrir a urna o filho dele, mais novo, escolheria o papel aleatoriamente.

Desesperei-me! Faltavam poucos dias pro sorteio e meu plano tinha naufragado.

Eu tinha que dá um jeito de fazer o moleque escolher meu papel. Mas como?

Naquele momento, mesmo sem me dar conta de estar utilizando recursos do marketing infantil, bolei uma maneira de chamar a atenção da criança para meus cupons.

Deixei os cadernos de lado. Antes de voltar pra casa, passei em uma papelaria e comprei inúmeras folhas de algum papel verde-limão. A cor era tão forte que eu sabia que iria encandear a vista frágil do menino.

Fiz o mesmo serviço de antes.

Não deu outra! Quando a urna se abriu, o pirralho foi direto em um dos meus papeis. E eu ganhei.

A felicidade pela conquista devido a minha esperteza foi logo interrompida em casa. Meu pai não me deixou ir.

Tive que me contentar com o arraial mesmo.

O bloco, como se esperava, foi um fracasso!

Eu estou até envergonhado de dizer qual a atração que tentava animar aqueles gatos pingados. Vai ver foi por isso que meu pai proibiu de ir.

E hoje eu me sinto aliviado de não ter passado por aquilo…

~ por automidia em 11/19/2009.

4 Respostas to “Cupom de dar dor na vista!”

  1. ‘ Manuel já sabia fazer as coisas dez de piqueno, KKKKKK..
    Oh Muleque safado! asapkoaskas 😀
    considerado 🙂

  2. Hehehehee…
    adorei a hermeneutica!
    MUITO coerente o texto
    e muito hilarioo!
    hehehe
    quem nunca fez essas coisas meio que “doug funnie”
    que atire a primeira pedra!
    ehehee

  3. Meu, depois de tanto esforço, medo, ansiedade o seu pai não deixou você ir… Caramba! Pelo menos valeu a experiência, a qual você pode relembrar (contar) e dar boas risadas.

  4. tu joga sujo desd pequenoo maditoo…

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