Oi, Posso Te Add?!

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Com quanto tempo de vida e experiência o ser pode dizer que criou sua própria identidade?

As influências que nos bombardeiam todos os dias, todos os momentos, desde nosso nascimento vão se moldando até chegar ao ponto que nossa personalidade estará construída. E mesmo assim, não é algo definitivo. Quanto mais se vive, mais se modifica.

Encontramos nosso lugar na família, assumimos um papel na sociedade, servimos de referencial. Somos alguém, de fato.

Infelizmente, por questões sociais, na maioria das vezes, há pessoas que não se encontram. Não sabem que espaços ocupam dentro do contexto da vida.

A mídia, a meu ver, traz novas possibilidades de acesso e identificação pra alguns indivíduos.

Certa vez ouvi Regina Casé dizer que agora até um “Zé Ninguém” (entende-se aquele que ainda não é referência pra nada socialmente) e a partir da criação de um perfil na Internet passou a ser alguém. Mesmo que virtualmente. Tipo Fulaninho da V8, Sicrano Galera Infernosa, e por ai vai. As pessoas passaram a se caracterizar pelas mais simples taxações e deixaram de serem apenas elas mesmas.

Quando você já sabe quem é e os outros também, pode vir a ocasionar um enjôo da mesmice. Seria bom ser quem você não é ocasionalmente. E a Internet possibilita isso.

Quer ver só o que me aconteceu?

Enquanto aguardávamos ansiosamente a chegada do verão e depois de descobrir as infinidades de possibilidades da web e ter o know-how na palma da mão, eu e uma amiga (é melhor não citar nome algum, de nenhuma das partes envolvidas) resolvemos brincar de não sermos quem nós éramos.

Entendendo, né?

A nomenclatura de fake ainda era desconhecida, mas foi exatamente o que fizemos.

Criamos um perfil com nome inexistente, adicionamos algumas pessoas e começamos a manter relações amigáveis com elas. Estávamos ficando tão expert que ninguém conseguia desconfiar de nada. Aderimos mesmo a uma personalidade que não era a nossa, que foi criada e já ocupava lugar de referência no convívio das que mantínhamos contato.

Com uma delas as coisas foram mais além.

Houve troca de telefone, confidências e confiança.

Com o tempo aquela brincadeira deixou de ser interessante.

O processo criativo já pesava na consciência e, de todo modo, enganar nunca é aceitável.

A euforia daquela descoberta de ser quem não se é também. E além do mais o verão chegou e aquelas mentes maquiavélicas iriam se ocupar com outras futilidades.

Como é de costume de nosso povo, no mês de janeiro estávamos reclusos na praia.

As armações criadas pelo fake já nem passava pela cabeça, até o momento em que esbarrei com a figurinha cuja tinha roubado suas fotos pra dar vida ao falso.

Que coincidência pra cortar efeito do álcool imediatamente!

Desesperado, em termos, procurei por minha amiga naquele momento e mostrei-a.

Álcool também cortado do susto!

Era só um susto mesmo. O tamanho da coincidência é que era pavoroso. O mundo virtual parecia ser menor que o real. E ter aquelas fotos que conhecíamos bem, personificada na nossa frente, era assombrador.

Não dava pra sermos descobertos e pra certificar mandamos uma terceira pessoa se inteirar pra confirmar nossas suspeitas. Confirmadíssima!

O pior é que algumas pessoas, naquele ambiente em que nos encontrávamos, já conheciam o fake.

Dava pra perceber que não era o mundo que se tornou pequeno, era a nossa incompetência que se fez grande demais. Deveríamos ter procurando “amizades” mais distantes, né?

A tensão estava criada e a qualquer momento essas pessoas envolvidas iriam se cruzar.

Já imaginou se alguém chega e pergunta:

– Oi, tudo bom?

Certamente o fake, que ali era a pessoa verdadeira, não saberia o que responder.  Nem ao menos conhecia o interlocutor.

Antes que essa cena fosse formada diante de nossos olhos, saímos pela tangente com um piano pesando na consciência.

Não sei o que aconteceu lá.

O fake foi excluído e nunca foi tão aliviante ser quem realmente se é.

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~ por automidia em 08/25/2009.

2 Respostas to “Oi, Posso Te Add?!”

  1. eu me lembro bem desse dia, pois eu estava presente!mas esses fatos são comuns no nosso dia-a-dia…Nos perguntamos a si mesmo, qm somos nós realment diante de uma sociedade burocratica?

  2. Eu tb já fiz isso com mais dois amigos, mas a menina que escolhemos para “copiar” o perfil era do rio Grande do Sul… E o intuito era dar em cima de um amigo nosso, não por interesse, mas por tiração de onda, o cara tava super empolgado, mas a brincadeira acabou pq a verdadeira dona do profile nos visitou e denunciou o orkut, kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

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