“…Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo.”

Convicção não é um de meus grandes fortes, embora saiba mostrá-la quando preciso. Há algumas certezas que sempre carreguei comigo, mas com o tempo vi algumas coisas mudarem.

A primeira de três que relato nesse post, faz referência ao norte que sempre quis seguir na vida. A segunda é que sempre achei que pra ser diferente é necessário percorrer outros caminhos. E a terceira, por fim, é que eu nunca gostei de Jô Soares.

Pois bem!

Um sonho de criança e desejo por toda a vida. Quando me vi prestes a escolher a 1ª opção do curso do vestibular, as pernas se fizeram trêmulas. O medo me rondava mesmo tendo eu a plena confiança de que era aquilo mesmo que queria. E só poderia ser.                                                                                     A trajetória dentro daquela Universidade foi entoada por uma frase dita por um professor nos primeiros momentos em que eu cruzava os corredores, sujando a mão na parede que soltava cal: “Bem-vindos à profissão que os tornará ricos e famosos. Quer dizer, ricos eu não sei, mas famoso certamente!” Mais um paradigma de minhas convicções foi por água abaixo logo logo. Não precisou atravessar nem o segundo ou terceiro período pra sacar que profissional de mídia rico é uma quimera pra quase todos. Quanto à parte da fama, Marcos Nicolau deveria estar fazendo uma previsão, sem intuito mesmo, de que mais cedo ou mais tarde as possibilidades das novas mídias iriam escancarar a boca de quem quisesse.

E com esse escancaramento surgiu a idéia da criação desse blog. Não que tenha sido o primeiro. As pessoas de minha geração já tiveram a oportunidade de manter outros diários, blogs, fotoblogs entre tantos na rede. E aí questiono qual seria a real justificativa pra se cultivar tais páginas online? Diferenciar-se. Acredito que seria a resposta. Volto à pergunta: pra diferenciar-me teria que me igualar aos outros? Pra ser diferente, na mesmice do nosso convívio social é preciso se individualizar, se igualando aos que também postam. Não sei se me faço entender, mas tem coisa que só observando ou sentido empiricamente pra compreender.

É tipo, pra eu parecer uma pessoa diferente no Orkut, por exemplo, entro em várias comunidades pra ir tentando moldar meu perfil distinto de todos os outros, simultaneamente me junto com pessoas iguais a mim dentro de cada comunidade. Soa meio louco e depois acabo por me retirar daquele nicho por não ter mais a convicção de que era aquilo mesmo que pretendia!

Achava Jô Soares diferente. Tentava discernir de onde vinha aquela antipatia por ele. Estava convicto de que dele não gostava. Mesmos outros apresentadores esdrúxulos, do naipe da Gimenez, por exemplo, eu não suportava, mas compreendia. Com o Gordo era diferente.

Excêntrico, hipócrita, palhaço, prepotente. Essa safra de adjetivos se destinavam a ele no momento em que tentava fazer a relação de seu programa comigo mesmo.

Será que o diferente sou eu? Todo mundo adora o Jô, menos eu?!

A análise veio fracionada. O programa de Jô consiste basicamente no foco das entrevistas, interação com o auditório e algum número musical. Até aí tudo bem.

Mas por que o discurso que ele cria não privilegia o foco da atração: o entrevistado? Por que Jô insiste em ser mais importante do que seus convidados?

Ora, Manuel, porque de fato e de direito ele é a peça fundamental da entrevista!

Como é?

Mais uma convicção indo pelo ralo.

Estamos nos referindo a um programa do tipo Talk Show e nesse formato de entrevista o apresentador sempre será o foco. Além de conduzir o bate-papo, ele manipula estratégias de persuasão que seduzem o púbico e o convidado, exaltando o próprio talento comediante que ele tem.

A nuvem começaria a se desfazer diante de meus olhos. Enxergá-lo-ia com outro olhar. Não é que de uma hora pra outra passaria a morrer de paixão pelo programa, só aprendi a aceitar, depois que entendi o cunho das mensagens transmitidas.

Há quem diga que essa molde de gostos seja falta de personalidade. Será mesmo?

Prefiro crer nas palavras de Seixas e ser taxado de metamorfose ambulante.

caneca

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~ por automidia em 08/04/2009.

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